07/12/2017 (OP) Estado quer participação societária de no mínimo 10% - CDL Fortaleza

Clipping

07/12/2017 (OP) Estado quer participação societária de no mínimo 10%

Banco de Desenvolvimento da China assinou ontem Memorando de Entendimento (MOU) mostrando interesse em financiar refinaria no Ceará

O Governo do Estado pretende ter participação societária na refinaria chinesa no Ceará de, no mínimo, 10%. Ontem, o projeto avançou com a assinatura, em São Paulo, do Memorando de Entendimento (MOU) para cooperação entre Estado e Banco de Desenvolvimento da China (CDB). A instituição financiaria refinaria e petroquímica, possibilitando que empresas patrocinem parcerias locais, como na área da Saúde. O memorando está em vigor por três anos e pode ser prorrogado, caso haja consentimento das partes.

Sobre o percentual societário do Governo, Antônio Balhmann, assessor de Assuntos Internacionais do Estado, que participou da assinatura, detalha ao O POVO que a fatia do Ceará no projeto da unidade de refino seria composta por ativos, como fornecimento de água e o próprio terreno destinado ao projeto, na Zona de Processamento de Exportação do Ceará (ZPE), em São Gonçalo do Amarante. “A participação do Estado dá credibilidade institucional ao projeto. O banco não assinaria sem isso”, diz.

No caso da área da Saúde, o financiamento se trata de investimento para implantação da empresa chinesa Medical Health Company (Meheco), que é fabrica desde consumíveis para hospitais até equipamentos de ressonância magnética. “A proposta que se discute é o desenvolvimento desses componentes da empresa no mercado brasileiro. Uma planta de montagem dessas maquinas de fabricação iria para entrar do Polo Industrial e Tecnológico da Saúde (Pits), no Eusébio, e uma unidade dela (Meheco) na ZPE, fazendo a plataforma de exportação da empresa”, explica Balhmann.

Já a ideia para a petroquímica é que ela fique junto da refinaria, em terreno de 700 hectares, na ZPE, com produção de matéria prima de valor mais agregado, como poliuretano e produtos que servirão cadeias industriais, como de autopeças e calçados. “Esse projeto da petroquímica poderá até mesmo ter financiamento brasileiro, como do BNB (Banco do Nordeste) e BB (Banco do Brasil)”, detalha. Atualmente, o Estado negocia esse projeto com a Companhia Nacional Iraniana de Petróleo.

Assinatura

Após assinatura do MOU, deve haver apresentação do projeto da planta da refinaria. Para isso, conjunto de engenheiros da empresa chinesa interessada no empreendimento, a Qingdao Xinyutian Chemical, trabalham para entregar os documentos ao CDB até junho de 2018. O julgamento do banco ficará para agosto.

Hoje, o que está definido é que a refinaria se daria em duas etapas de 150 mil barris, para o total de 300 mil. Paralelo ao projeto, virá uma planta termelétrica de 600 MW, utilizando os próprios gases da refinaria e um conjunto de empresas de distribuição ao longo da Ferrovia Transnordestina e do litoral do Nordeste, com distribuidores de combustíveis.

Além disso, a avaliação atual da planta da refinaria é de investimento de US$ 4 bilhões, mais US$ 500 milhões para construir terminal petroleiro no Porto do Pecém e US$ 3 bilhões para o complexo petroquímico, totalizando US$ 7,5 bilhões.“Os chineses farão em breve nova visita ao Estado. Vamos trabalhar para trazer esse grande empreendimento”, disse o governador Camilo Santana (PT), que assinou o documento com o vice-presidente do CDB, Cai Dong.

BEATRIZ CAVALCANTE

Endereço: R. Vinte e Cinco de Março, 882 - Centro, Fortaleza - CE, 60060-120 | Telefone: (85) 3464.5506