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(DN) Parangaba tem valorização e atrai atenção do comércio

22 de Novembro de 2012

Empreendimentos como novos shoppings e investimentos do poder público estão ligados à valorização do bairro

Alvo de grandes investimentos da iniciativa privada e também do poder público nos últimos anos, o bairro Parangaba acumulou atrativos e hoje registra um crescimento significativo do interesse de comerciantes e futuros moradores, o que fez o preço do metro quadrado construído lá atingir R$ 4,2 mil ao longo de sete anos, segundo dados apurados pelo Sindicato das Empresas de Compra, Venda e Locação de Imóveis no Ceará, o Secovi-CE.


Ao longo de sete anos, o custo do metro quadrado no bairro cresceu 53% Fotos: Alcides Freire

No entanto, o próprio consultor econômico da entidade, Paulo Kuhn, ressalva que essa cifra corresponde ao preço médio cobrado na Capital, o qual se estendeu aos bairros mais próximos das áreas nobres e do Centro, como a Parangaba, não sendo motivado exclusivamente pelos empreendimentos recém anunciados para a região.

Crescimento

Historicamente, os dados do Secovi apresentados por ele atestam um crescimento de 53% do custo do metro quadrado ao longo de sete anos, atribuído principalmente à influência do programa federal de habitação Minha Casa, Minha Vida (MCMV).

Segundo o consultor explicou, o MCMV criou um perfil que foi seguido pelas construtoras comerciais e se fez popular, resultando em um deslocamento de preços na cidade.

No entanto, entre as imobiliárias que atuam naquela parte da Capital entrevistadas pela reportagem, a maioria comercializa imóveis cujos metros quadrados não chegaram ao valor apontado por Kuhn e variam entre R$ 1,8 mil e R$ 2 mil, no caso de residências, e até R$ 2,2 mil.

Investimentos

Mas, especificamente para a Parangaba, acrescenta-se às mudanças causadas pelo MCMV a chegada de novos empreendimentos como motriz de uma especulação inicial. Localizado entre áreas de intensa movimentação comercial e uma das principais vias de acesso à periferia norte de Fortaleza, o bairro já conta com o Hospital da Mulher e uma estação do metrô, ambos já em funcionamento.

Para os próximos anos, a Parangaba ainda tem previstos o Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT), como investimento público, e mais dois shoppings, os quais, somados, chegam a R$ 420 milhões - destinados somente à construção.

De todo modo, para que pequenos e médios comerciantes cheguem à Parangaba e criem uma cadeia de apoio mais densa do que a atual, são necessários, além dos recursos aplicados nos shoppings, mais investimentos voltados para a moradia.

Com isso, começa a acontecer o que o tesoureiro do Conselho Federal dos Corretores de Imóveis (Cofeci), Armando Cavalcante, chama de "exploração imobiliária". Segundo ele, os proprietários e mesmo alguns profissionais agem de má fé e passam a especular sobre o preço cobrado, inflacionado-o na tentativa de tirar proveito do momento.

Possível aumento

"Mas o mercado é muito sábio e hábil. Diante disso, ele retrai. O comprador não entra nessa de ser abusado, ele sabe que o preço vai se acomodar e espera", analisa. Na avaliação de Cavalcante, um aumento no preço do metro quadrado da região é até admissível por conta do desenvolvimento, mas não chega a patamares exorbitantes.

É o que diz também o presidente da Associação dos Administradores de Imóveis do Ceará (AADIC), Heron Ibiapina. Ele destaca ainda o crescimento da locação de áreas comerciais, principalmente, por a região ser, em sua maioria, ocupada por residências. O presidente também fala de um aumento de até 20% no preço cobrado pelo aluguel. "Eu entendo como normal esse crescimento, uma vez que a tendência é o aumento de vendas nessas localidades", afirma.

O tesoureiro do Cofeci afirma que o aumento do preço do metro quadrado construído - sempre observado nas unidades comercializadas em bairros onde a infraestrutura é melhorada - "não apavora muito" o mercado imobiliário local. "É coisa natural. Logicamente, cidade que cria desenvolvimento tem atração maior", diz.

Acima da média

O consultor econômico do Secovi ainda atestou que o crescimento observado na Parangaba não excede a média vista em outras regiões e "dados apurados para o primeiro semestre deste ano mostram que os lançamentos de lá têm estado dentro da média da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF)".

"Exceto pelos bairros Guararapes, Meireles e Porto das Dunas, não há nenhuma discrepância da Parangaba comparada aos demais bairros", destacou Paulo Kuhn, lembrando que os três bairros citados são os únicos a possuírem o metro quadrado acima da média de Fortaleza e Região Metropolitana.
 

População já sente efeitos no bolso


Para o comerciante Robério Gonçalves, o preço dos aluguéis deve crescer quando terminarem as obras


Enquanto as imobiliárias afirmam que o bairro da Parangaba ainda não reflete os investimentos em infraestrutura nos preços do mercado imobiliário daquela região da Capital, os comerciantes locais garantem sentir a pressão sobre o preço dos imóveis que ocupam ou do aluguel que lhes é cobrado.

"Aqui, todo ano a gente entra em negociação e eu tenho quase certeza de que, quando tudo isso aí estiver pronto, o reajuste vai ser grande", contou Robério Gonçalves, 41, proprietário de um pet shop localizado em frente a um dos shoppings em construção no bairro. De acordo com ele, o dono das três áreas comerciais que ocupa já sinalizou nesse sentido. Robério, porém, confia na amizade com o seu senhorio para garantir um preço justo.

Para o proprietário do pet shop, apesar do reajuste, o comércio deve aquecer com a chegada dos shoppings, do metrô e do VLT, por conta do maior fluxo de pessoas, e isso deve compensar os preços cobrados pelos aluguéis da área. É confiando nesta perspectiva que Robério já equipou o negócio com carros e mais um clínica de tratamento, banho e tosa de animais.

Desconforto com as obras

Já Walter Oliveira, 40, dono de um restaurante localizado em frente às obras do metrô e do outro shopping, argumenta que o momento atual é de desconforto e que o ponto que adquiriu há cerca de dois anos não chegou a se valorizar.


"Com toda essa obra aqui, essa poeira e barulho, está difícil até de manter o negócio", protestou. Ao lado do negócio dele, outros dois pontos próximos ao mercado público da Parangaba amargam as placas de aluga-se "há um bom tempo", segundo Walter, por conta dos transtornos causados pelas obras.

Atração

Pelos entornos dessas construções que tanto incomodam o comerciante, já começam a surgir outras. Basta uma volta pelo bairro dá para evidenciar mais dois condomínios e até uma nova instituição de ensino.


Segundo o comerciante Walter Oliveira, o momento, principalmente de desconforto

A aposta dos investidores responsáveis por construções como essas deve-se à carência de moradia e educação na área, a qual poderá ganhar um novo impulso com a chegada de grandes centros comerciais e o fluxo mais intenso de pessoas via transporte público. (AOL)

ARMANDO DE OLIVEIRA LIMA
REPÓRTER

 

Fonte: Jornal DIÁRIO DO NORDESTE